segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Aniversariamente: Cecília Meireles

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecíla Meireles

O medo de acabar! Assim, tão descarado, a dizer-nos quem é. Ele que nos bate à porta todos os dias, aparece-nos, pela voz da Poesia, a dizer-nos que afinal todos os dias nos renovamos!

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

No aniversário de Sophia

Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar. Sophia de Mello Breyner Andresen
“Dizemos «Sophia» como se esta palavra fosse sinónimo absoluto de poesia.” (Alice Vieira)
Quando a poesia toca um ser, todos os seus actos, escritos ou não, passam pela poesia. Todos os actos de Sophia parecem brotar da poesia.
De Sophia de Mello Breyner conhece-se o apego ao mar. O mar é como a poetisa uma força da natureza, uma força que não cede, que não se verga, que não ilude nem desilude, que dá o prazer e o pão. O mar é uma dimensão da obra de Sophia, tratado na “Saga”, de maneira ímpar. O mar que mata, que colhe vidas e transforma vidas, como a do pequeno Hans, que aos catorze anos largou a terra, longe, e se fez ao mar. O mar era para Hans uma proibição. O pai nunca lhe perdoaria a desobediência e Hans jamais poderia voltar à sua aldeia, a Vik, rever os seus, porque também ele, homem do mar, sabia que, na índole do marinheiro, o perdão é uma transigência menor.
As crianças são poesia. Por isso uma grande parte da vasta obra de Sophia tem como destinatário o público infantil. E lá está o mar! A gente do mar e a gente da terra. A Menina do Mar! Tão pequenina que cabe num baldinho da praia, daqueles que os meninos transportam do toldo para a beira-mar e da beira-mar para o toldo! Ela e um desses meninos travam conhecimento e querem trocar saberes. Ele quer levar-lhe o fogo e o perfume. Coisas de sensações! Ela quer levá-lo ao fundo do mar. Ele quer explicar-lhe o que é a saudade, que é da terra, mas que o mar ajuda a entender.
(A filha, Maria de Sousa Tavares, diz que a mãe lhes transmitiu “desde a infância, o apego intransigente às coisas essenciais da alegria de viver: o bom pão, o bom vinho, o mar...”)
A fé aparece na poetisa como o desenvolvimento natural de alguém tocado pela poesia. A fé também é um dom. E, mesmo em tempos conturbados, lá está Sophia, com a sua fé e a sua verdade. No entanto, a sua sensibilidade sempre atenta está pronta a desmascarar a hipocrisia. Mónica é uma personagem que denuncia o falso cristão. Mónica faz casaquinhos de lã para os meninos pobres, que já terão morrido de fome, quando os casacos de tricot estiverem prontos. “Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.”
Para os mais pequeninos há a lição do Natal, que surge na sua obra invariavelmente ligado aos valores cristãos. A Noite de Natal aproxima duas crianças que, crescendo juntas, não podem viver o mesmo Natal de fartura. Mas a pequena Joana vai ao encontro do Manuel, para que ele também tenha presentes na noite de Natal. E a magia dessa noite torna tudo possível: até a Joana ser guiada pelas estrelas, como aconteceu com os Reis Magos, há mais de dois mil anos.
Para celebrar a noite sagrada, o Cavaleiro da Dinamarca parte para Jerusalém, cumprindo assim um voto e um desejo. No regresso, é apanhado por muitos perigos mas a estrela que guia os homens bons de todos os tempos vai mostrar-lhe também o caminho, iluminando a gigantesca árvore do seu quintal.
Elaborados estudos falam da poesia de Sophia, da essência do eu poético. Muitos entrelaçam a mulher e a sua obra. Mas foi precisamente num texto em prosa que encontrei a alma feminina, a sensibilidade da mulher, a consciência plena do seu papel no trajecto- vida. Foi num dos “Contos Exemplares”, A Viagem. O homem e a mulher iniciam um caminho. Nesse ponto de partida ela é o ser mais frágil, ele é o mais forte. Ao longo da viagem, cujo destino é um lugar maravilhoso, onde nunca estiveram antes, a mulher vai-se tornando o ser mais forte, o que não a impede de expressar o medo. “Tenho medo” diz ela.
Foi este o texto que escolhi para fechar o "Banquete de Textos".
A seguir ainda escrevi: Com os seus pontos finais parágrafos, as folhas resguardam-se nas suas capas, suspirando por novos convivas.
A manhã está perto. A manhã está já ali. A manhã está sempre ali, feita de futuro, esculpida de brilho.
Até à manhã!

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Selo



Mania – Que... enfim... já fui o que tinha de ser e agora já não há melhoramentos possíveis; que incomodo; que não consigo...

Pecado capital - Talvez preguiça...

Melhor Cheiro do Mundo - o cheiro a gente, a alguém, a outro...

Se o dinheiro não constituísse problema - Gastava...

História de Infância - Todas com o mesmo cenário, o mesmo espaço: a casa da minha avó Madalena...

Habilidade como dona de casa - Ir ao supermercado...

O que não gosto de fazer em casa- Vá lá que parece que há consenso...

Frase preferida - As "máximas" do meu pai. A última: Eu acredito em Deus e Deus acredita em mim.

Passeio para o corpo - Qualquer que ao corpo apeteça, debaixo de um sol que não queime, apenas aqueça...

O que me irrita - A componente não-lectiva!!!!!!!!! Obrigam-me a perder tempo, encafuada em arrecadações (se não são, parecem!) que nem as minahs vaquinhas da farmville são tão destratadas!!!

Talento oculto - Também já era...


Frases que uso recorrentemente - As perguntas de massacre de índole maternal, do género: Dormiste bem? Está tudo bem? Sente-te bem? Precisas de alguma coisa? E, para variar, há a lamúria: Já ninguém gosta de mim!


Palavrão mais usado - Poça!


Não importa que seja moda,não usaria jamais -Cabelo pintado de loiro.


Quem dera ter nascido a saber - Nunca pensei nisso!

O Selo veio da casa da Teresa, a Princesa dos Algarves e vai daqui para Bruxelas, para o Barreiro e para Lisboa e para Lisboa!

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Aniversariamente - Jorge de Sena

"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso."
A inquietação de Jorge de Sena é a inquietação colectiva. Todos tememos pelo futuro, principalmente por aquele que vai preencher as vidas dos nossos filhos e pelo qual nos julgamos (e somos!), de algum modo responsáveis.
Eu e todos os pais do mundo queremos o melhor para eles e insistimos nesse desejo.
Isto não é só coisa de poeta. É coisa de gente comum, mas ainda bem que o poeta a eternizou.
A Mécia (mulher do poeta) muito cansada, os pequenos felizmente muito bem e adaptando-se bem demais à vida americana (que, acrescentada dos vícios do Brasil, onde os meninos esperam que lhes façam tudo, se torna um inferno doméstico). Mas vão passando nas escolas.(...)
Afinal um poeta também é pai de carne, osso, nervos, medos, desejos e ambições e pequenas desilusões como a que contou a Sophia nas suas cartas...

domingo, 1 de Novembro de 2009

Diário de uma terapia

.Já fez cinco anos que o Diário de Uma Terapia foi publicado! Ali está narrado, de modo mais ou menos ficcionado- já que a mulher é uma ficção da própria autora- toda a evolução psicológia da mulher que passa pela experiência cor de rosa do cancro da mama. Acredito que o livro, entretanto já esgotado, volte às livrarias, um destes dias.
Ficha técnica- Diário de Uma Terapia, Ana de Sousa, Editora Ela Por Ela.