terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Os Dias da Televisão

Cresci sem televisão e isso fez de mim uma pessoa diferente: mais "saloia", mais ingénua...A caixinha mágica maravilhou-me, emocionou-me intensamente, como maravilhou todos os que não a conheceram à saída da maternidade, como aconteceu, certamente, com a maioria dos que me estão a ler.
O primeiro aparelho de televisão que eu vi foi levado da "Metrópole" para Lourenço Marques, pela minha tia, quando regressou, depois de quatro anos de ausência em Lisboa. Não funcionava, claro! e pergunto-me a razão pela qual o terá levado. Com esperança de ainda o vir a usar? Talvez em nome da companhia das noites de Inverno? Talvez em nome de um apego qualquer que temos às coisas, quando obtê-las não está ao alcance rápido e imediato da nossa vontade?
Não sei. Levou o aparelho de televisão cujo ecrã parecia uma lente dos óculos dos muito míopes, mas em grande...
E eu, só vi televisão, pela primeira vez, em Lisboa, quando vim para a Faculdade.
Fiquei num Lar de Estudantes (freiras) no Lumiar onde já estava a minha amiga Zé, que tinha vindo para Direito. Fiquei num quarto de três e tínhamos em comum a distância e a saudade e com isso fizemos uma imensa amizade que perdura e se mantém, "para lá de" e "apesar de". Somos irmãs de coração, para o bem e para o mal.
No piso onde ficavam o nosso quarto e outro, havia a sala da televisão, onde se apinhavam normalmente as "ultramarinas", raparigas no grau zero do conhecimento e da convivência com aquele aparelho mágico.
Se havia festival da canção ou outro evento igualmente importante para a época a sala transbordava porque as "metropolitanas" também queriam ver, mesmo sem esbugalharem os olhos de deleite. Só no Verão, ou assim que o tempo começava a dar autorização aos casacos, para ficarem em casa e às botas, para dormirem nos armários, os namoricos do bairro faziam alguma concorrência à caixinha que alimentava a fantasia adolescente. Mas ela lá continuava, indiferente a estas traições, sabendo que irremediavelmente nos aproximaríamos dela, de novo. Mesmo a preto e branco, sem efeitos nenhuns, especiais ou outros, era a Rainha das nossas Vidas.
Veio tudo isto a propósito de ter lido no Leme que a taxa da televisão tinha conhecido o seu fim, a 13 de Dezembro de 1990, pela mão de Cavaco Silva, então PM.
É que não era comprar, trazer para casa e mais nada. Era preciso registar o aparelho não fosse ele transviar-se, fugir para o Estrangeiro ou coisa do género! E fazer prova de vida. Não havia televisão nenhuma abandonada em vão de escada.

sábado, 12 de Dezembro de 2009

Oh Christmas Tree

Os meus filhos impõem que eu continue a colocar, "na casa", os sinais do Natal.
Como disse alguém, se o Natal não estiver no nosso coração, não estará, certamente, debaixo de um ramo da árvore de Natal. Mas, enfim, não será por minha culpa que o natal vai deixar de estar assinalado simbolicamente cá em casa.
O meu critério maior é a simplicidade e, dentro da simplicidade, o meu gosto pessoal. Os enfeites que eu prefiro são as bolas de papel, com figuras antigas que nos remetem para um espírito de Natal menos corrompido pelo consumismo dos nossos dias.
Tenho um presépio de figuras muito simples, de barro (ou gesso, talvez!) que continuo a colocar ao pé da árvore. Tenho dois Meninos Jesus. Um deles partiu uma perna e eu não consegui deitá-lo fora, atacada pelo preconceito de estar a eliminar um Menino Jesus com uma deficiência. Então resolvi que ficariam os dois! Quer eu queira quer eu não queira, o Natal não se apresenta assim com um fenómeno isolado dos outros dias da vida.
Na literatura aprendemos grandes lições. Uma das mais belas lições sobre o significado do Natal, chegou-me pela escrita de Torga: O Natal do Garrinchas.
Ali está a ideia reconfortante que o Natal está no pensamento dos homens e em mais lado nenhum. Fiquei eterna admiradora do Garrinchas, pedinte que ousa fazer o papel de S. José, no presépio improvisado. num recanto de uma igreja.

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Desafio de Natal

1. Eu já... escrevi a minha carta ao Pai Natal. Pedi-lhe um saco cheio de saúde para os meus...
2. Eu nunca... poderei deixar de pensar que é bem mais importante uma refeição em família do que as prendas.
3. Eu sei... que a magia do Natal existe mesmo.
4. Eu quero... o fim das guerras.
5. Eu sonho... com um mundo melhor, apesar de já ter idade para não me deixar embalar com cantigas...
(Obrigada, Isabel, por te teres lembrado de mim!)

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Those were the days...

Arrumações em dia feriado. Um clássico!
Só que as arrumações não são inócuas.
(Ou "inoques" como diz o texto do Vitorino Nemésio, palavra que levou a tribunal dois homens bons, reconciliados pelo juiz que percebeu a proximidade da palavra arguida!)
As arrumações trazem-nos aos olhos e à pele um tempo que é nosso, tão nosso que só dentro de nós parece fazer sentido.
Quem é que se interessa com a nossa juventude guardada nos cabelos brancos da nossa mãe? Nos nossos próprios cabelos brancos? No olhar sedutor de um jovem pai que já partiu?
Numa gaveta encontrei a minha caderneta do liceu. Lá está o registo das minhas "glórias" e dos minhas "fraquezas". AS notas de Ciências são a nódoa maior. Há por lá um sete que por sinal até está inflaccionado, pois menos do que sete nem dava para ir a exame. É que os pombos abertos ao meio em cima de uma bancada fria não conseguiam atrair a minha atenção. E a mineralogia então era o tédio mais absoluto. Sistemas de cristalização. Fugi a sete pés de um curso de Ciências por causa destes sistemas e outras classificações horrendas. Horrendo não era para mim o Adamastor. Até simpatizei com o Mostrengo que desaba em dor, ao contar a sua história de amor! A minha glória maior era, sem dúvida, a Matemática. Era simples. Mas o meu Muito Bom vinha sempre depois do Muito Bom das meninas exemplares. Como eu hoje entendo este critério das professoras! Como foi difícil para mim, na altura, lidar com as minhas insuficiências! Faltava-me o jeito para cantar, para dançar, para fazer ginástica, para desenhar... parecia que todos os talentos me faltavam. Nunca ninguém educa ninguém para o fracasso, para o insucesso. Só mesmo a Vida!
Nestas coisas de arrumações, apetece-me deitar tudo fora, mas hesito, pois sei que agarrada vai a própria vida, embalada nas recordações mais diversas...
Lembro-me sempre da cantiga popularizada por Mary Hopkins: Those were the days, my friend... We thought they'd never end...

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Uma Aventura Chamada Bali

Um "post" sobre o Bali dá direito a título ambicioso, com sugestões mais do que explícitas...
Ele próprio deve ser um cão com ambição. Pelo menos, durante as mini-férias da Restauração, mostrou bem almejar sentar-se como as pessoas, utilizar os sofás, como as pessoas, ter mais direitos do que as próprias pessoas...
Foi mesmo uma aventura. Nunca sabíamos o que é que nos esperava na hora seguinte.
Mas a aventura teve mesmo um happy end: regressou, a Campo de Ourique, recuperado de uma mazela da qual estava a convalescer, cheio de energia, mais astuto e, porventura, menos educado. Educá-lo é função dos donos. Estragá-lo tem sempre a ver com avós ou com alguém que se faça passar por...
Não sei quem é Corey Ford, mas concordo com ele: Devidamente treinado, o homem pode ser o melhor amigo do cão!

Andarei por aí?

Quem vem por bem?

Passado

Obrigada!

Obrigada!